quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Casa de vó






Casa de Vó é o lugar mais doce do mundo!
É onde até o limão é doce e qualquer doce fica muito mais doce.
Há sempre um rocambole fofo coberto de açúcar em cima da geladeira.
E dentro?
Nem se fala...


Há sonhos de verdade cobertos de canela.
Há biscoitos quentinhos acabados de sair.
Há suspiros dourados e beijinhos doces.

E a melhor, a mais limpinha, a mais gostosa cama do mundo.



Há esconderijos segredáveis e mapas de tesouro.
Há castelos, fadas, viagens especiais, reis, princesas e super-heróis.
Há risos, muitos risos de sobremesa nas mesas de Domingo.




Na casa de Vó as coisas são da altura da gente e tudo está ao alcance das mãos.
Nada é cheio de não-me-toques.
Tudo é à prova de neto!
Até a guerra de travesseiros vem, mas significa paz e alegria.


Na casa da vovó dá vontade de correr e brincar o resto da vida sem parar nunca.
Pois trincos não tem, fechaduras também não.
Casa de Vó tem, é muitos braços todos abertos a qualquer hora.
Pra casa de Vó você nunca precisa avisar que vai, é só chegar.



Mesa da casa de Vó vive pronta!
Com toalha bem lavável, sem enfeites caros e novos, resistentes, isso sim.
E tudo funciona melhor na casa de Vó.
As paredes amortecem os tombos.



O chão é menos duro.
O fogão tem mais que seis bocas, todas acesas!
A mesa, como ter pernas...
As cadeiras, mais que dois braços aconchegando.
E Vó, sempre, é toda ouvidos!



Caderno de receita da Vó então, é livro cobiçado, já esgotado.
Todos querem os segredos dos cozidos e dos assados mas ninguém consegue jamais fazer um igual.

Porque o jeito de escrever, as páginas amarelas e as gotinhas de gordura não se fizeram em um dia.


Foram precisos muitos dias de festa e vontade de agradar.
Lamber os dedos pode, mas só na casa da Vó.
Raspa de panela tem sempre, e, o pior, tem fila também.
Se escuta sempre:
Eu pedi primeiro.



Quase toda Vó tem cadeira de balanço, um chinelo jeitoso, uma caixinha com bilhetes, lencinhos e papéis amarelados.
Gaveta de Vó então é uma festa!
De vez em quando toda Vó dá um suspiro bem fundo porque tem coisas demais para se lembrar tendo saudade.




Há coisas que só o amor de Vó faz.
Machucados, por exemplo, são curados com dengo e muitos e muitos beijos.
Dinheiro de Vó rende...
Pensando bem é o único dinheiro que rende.
E costura que Vó faz então?
Chega a vestir três gerações até.





 
As estórias de Vó, as brincadeiras e as cantigas de ninar, só ela conhece, mais ninguém.
E o sono vem cheio de sonhos bons, quando a Vó está por perto.



 
Porque só cheirinho de Vó já é uma delícia!
O colo é tão gostoso e a pele tão macia que ficam na lembrança da gente pro resto da vida.
O assunto não tem fim na casa de Vó.
Ninguém perde o fio da meada, pois é tecido com muito interesse em escutar cada graça, cada novidade, cada descoberta.




 
Há tanto caso engraçado e estórias pra se ouvir, que ver televisão é perder tempo...
O relógio é sempre adiantado para ninguém perder a hora.
Existe na casa de Vó a mágica do tempo, ele obedece, vai e volta, é só querer.
E a gente é o que quer ser.
Cresce, se quiser crescer.


 
A casa de Vó tem o maior espaço do mundo, mesmo que não tenha espaço nenhum.
Porque o espaço maior ficou inventado pela liberdade de rir, de correr e de gritar.



Espaço infinito que é do tamanho do coração que toda Vó tem.

(Não colhi a autoria do texto precioso)

3 comentários:

  1. Belíssima postagem!... Na casa de vó é assim mesmo.
    Beijos fraternos, ÉLys.

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  2. Roselia seu post é tão fofo que estou compartilhando! Estou só sorriso!

    Bjs

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  3. Nossa... me emocionei aqui! Que lindo.
    É tudo isso mesmo e mais um pouco. Carinho que transborda.
    A casa da minha vó era melhor do que a Disney, sem dúvidas.
    Obrigada por me trazer tantas sensações boas de volta.
    Bjns
    :)

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