quinta-feira, 13 de junho de 2013

Meu Testamento de vó




Queridos netinhos




Há 12 aninhos apenas e minha vida mudou... com a chegada de vocês nesse mundo...
O maiorzinho e o do meio já sabem ler... que bom! O pequeno está nesse processo... que maravilha!
Vocês três são anjinhos para mim... quero que saibam disso... um dia quando eu for-me desse mundo para o outro...
Mesmo em  meio às tristezas da vida, eu vivo para alegrar o  coraçãozinho de vocês...
Comprar presentinhos... dar atenção... dar comidinha na boca do pequeno... dar banho... vestir e calçar com roupinhas bonitas nas datas especiais... arranjar truque para vê-los sempre... datas e mais datas divididas entre todos...
Páscoa primeiro: levar os chocolates de um para ir pros outros, noutro Estado... Que luta boa!
Vovó está cansada, sabiam? Não sou mais uma menina... Mas vale a pena, podem acreditar... vocês são os meus tesouros na atualidade... os papais e mamãe cresceram...
Natal? É ver o que um gosta e o que outro poderia gostar...
Dia da Criança? Ah! Se pudesse, levaria o céu pra um e pros outros... Claro!
Mas, no fundo, o que mais posso dizer-lhes é que, sem vocês, eu não poderia ser vovó... esse nome que enternece o nosso coração e que nunca vamos esquecer-nos...
Sinto tanta saudade quando não vejo-os e vocês têm outros "compromissos" muitas vezes... e eu fico a esperar Domingo após Domingo e não vêm vocês  abraçar-me e dizerem que amam-me... como sempre acontece ou acontecia quando era menorzinho o maior... que está virando um pré adolescente já...
"Bom sono!"


Dizia-me um uma vez o 'bonitão' da vovó e de todos... nunca me esqueci... quanta ingenuidade! E eu acreditava no amor de vocês por mim e acredito... Posso?

São tantas falas lindas do termo  que até registro... para não esquecer e para que outras vovós possam sentir o sabor, por mim, em ter netinhos tão lindos...
Se vocês vão-se de mim nada será o mesmo... nem Natal... nem Páscoa... nem dia da vovó... 
Ao do meio,  pude experimentar o que é possibilitar ser Papai Noel e deixar que ele recebesse as honras: "-O Papai Noel é muito legal!"
Vovó é a que deixa os elogios pro coelhinho também... a que leva ao trenzinho... ao parque... ao play... que compra fantasia de Carnaval: de Pirata, de Peter Pan, do transformers... do Toy Story...
Que passa olhando lojas pra ver o que agradar-lhes-ia... e pega-se gastando os últimos reais... para fazer-lhes muito felizes... e ver suas carinhas alegres...
O maiorzinho é sério e poucas vezes vejo-o sorrir... como diz seu papai: "o Hum dele é sim"... poucas palavras... mas entendo-o bem... sou assim também algumas vezes e, depois de muita maturidade, é melhor mesmo o silêncio... do que palavras vãs... Hoje em dia, pré adolescente ri-se comigo quando conversamos um par de horas... e diz-me: - Eu também te amo, sem nenhuma cerimônia... Muito lindo!
Vovó é fantasiar-se nas festas e deixar que ninguém perceba como está triste o coração dela... o negócio é alegrar os netinhos e mostrar que é feliz sendo avó... custe o que custar...
Possibilitar as festinhas dos menorezinhos... pois eles merecem tudo que  a vó possa dar-lhes...
É  nem saber o que dar-lhes... pois um tem tudo  e o outro com tudo se agrada: "Eu fico satisfeito, vovó!"... 


Muito legal, não é, pequenino?

Que será que vocês vão falar de mim quando crescerem: podem simplesmente encurtar as palavras: -vovó amou-me muito e pronto! Ponto final, tá bem?
Pouco a  pouco os jogos de game vão tomando conta do meu espaço... e o computador me suprime... mas é a vida afinal... eu compreendo-os, tá? Gostava muito de contar historinhas... e, agora, canto musiquinhas por celular para o pequerrucho... que ainda encanta--me com seus sons ao celular que diz-me: - Vim deixar o meu oi, vovó!

Fiquem sempre bem e aceitem meu abraço saudoso pros netinhos que cresceram e, quando pequenos, fizeram-me e fazem-me tanto bem... enorme bem!!!
Saudades desde já... pois sei que será assim... com todo mundo é assim, porque haveria de ser diferente comigo?
Fui netinha da minha vovó Celina e ela sempre amou-me, até o seu fim, quando eu tinha dezesseis anos... A vó Guiomar morreu quando tinha 7 aninhos e nem lembro-me dela... mas não tenho neta mulher e prevejo que minha sorte não será a mesma... para variar... mas amo vocês... isso é o que importa... saibam disso, tá?
Bejinhos e nunca se esqueçam de mim ainda que nunca eu saiba disso... não nascemos para sermos felizes nessa vida, muitas vezes... sei bem disso, assim o foi comigo, muitas vezes.... cada um com a sua sorte!
E a de  vocês será linda, vê-los-ei do Céu e, quando olharem as estrelas, lembrem-se da sua vovó que já deixou de existir...

Mas que nunca deixará de amá-los profundamente com todo o meu coração de vó... e todo o meu amor...

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